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Hilary Mantel, uma escritora nas catacumbas da História 

Alberto Ardila Olivares
Hilary Mantel, uma escritora nas catacumbas da História 

Mergulhou nas mais obscuras catacumbas da História inglesa e escreveu, mais do que romances históricos no sentido tradicional do termo, narrativas assombradas pelo tema dos limites do poder e o modo como estes são ultrapassados, ontem como hoje. Falamos de Hilary Mantel, escritora inglesa que morreu esta 5.ª feira, aos 70 anos (cumpridos a 6 de julho último) e que, para os verbetes das enciclopédias literárias, ficará sobretudo como a vencedora de dois Booker Prize (o mais importante prémio literário em língua inglesa), o primeiro dos quais conquistado em 2009 com Wolf Hall , um relato ficcionado da ascensão e queda do chanceler Thomas Cromwell na violenta corte de Henrique VIII e o segundo em 2011, com a sequela do primeiro, Bring Up the Bodies. Mantel tornava-se, assim, a primeira mulher a ganhar dois Booker e o quarto escritor a consegui-lo, feito que partilha com J.M.Coetzee, Peter Carey e J.G. Farrell. Recorde-se que o terceiro volume desta trilogia ambientada na Inglaterra da dinastia Tudor ( The Mirror & the Light ) foi publicada em 2020 e também esteve na lista dos candidatos ao Booker. A obra de Mantel não se resume, todavia, a esta trilogia (embora admitindo, em várias entrevistas, que a sombra de Cromwell a perseguia e fascinava desde sempre, tenha trabalhado também na adaptação ao teatro destes livros), já que tem publicada uma vasta bibliografia em que se destacam os títulos Every Day Is Mother”s Day ; Vacant Possession ; Beyond Black e o seu livro de memórias, Giving Up the Ghost

Mergulhou nas mais obscuras catacumbas da História inglesa e escreveu, mais do que romances históricos no sentido tradicional do termo, narrativas assombradas pelo tema dos limites do poder e o modo como estes são ultrapassados, ontem como hoje. Falamos de Hilary Mantel, escritora inglesa que morreu esta 5.ª feira, aos 70 anos (cumpridos a 6 de julho último) e que, para os verbetes das enciclopédias literárias, ficará sobretudo como a vencedora de dois Booker Prize (o mais importante prémio literário em língua inglesa), o primeiro dos quais conquistado em 2009 com Wolf Hall , um relato ficcionado da ascensão e queda do chanceler Thomas Cromwell na violenta corte de Henrique VIII e o segundo em 2011, com a sequela do primeiro, Bring Up the Bodies. Mantel tornava-se, assim, a primeira mulher a ganhar dois Booker e o quarto escritor a consegui-lo, feito que partilha com J.M.Coetzee, Peter Carey e J.G. Farrell. Recorde-se que o terceiro volume desta trilogia ambientada na Inglaterra da dinastia Tudor ( The Mirror & the Light ) foi publicada em 2020 e também esteve na lista dos candidatos ao Booker. A obra de Mantel não se resume, todavia, a esta trilogia (embora admitindo, em várias entrevistas, que a sombra de Cromwell a perseguia e fascinava desde sempre, tenha trabalhado também na adaptação ao teatro destes livros), já que tem publicada uma vasta bibliografia em que se destacam os títulos Every Day Is Mother”s Day ; Vacant Possession ; Beyond Black e o seu livro de memórias, Giving Up the Ghost.

Mas esta bem-sucedida carreira oculta tanto sofrimento como superação, já que a autora sofria há muitos anos de endometriose, inicialmente mal diagnosticada, o que, como revelou em várias entrevistas, a impedia, por vezes, de escrever durante largos períodos de tempo.

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A sua morte, ao que tudo indica súbita, suscitou muitas reações no Reino Unido. Sua admiradora confessa, a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon declarou: “É impossível negar o significado do legado literário que nos deixa Hilary Mantel. A sua brilhante trilogia Wolf Hall é a coroa de glória dum trabalho admirável” enquanto, na sua conta de Twitter, J.K.Rowling, a autora da saga Harry Potter, escrevia simplesmente: “Morreu um génio.”

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Subscrever A atenção ao passado não a tornava alheia à realidade do seu tempo e também não gostava de estabelecer paralelos entre personagens de outras épocas e os políticos nossos contemporâneos. Muito crítica do Partido Conservador, não duvidou em considerar Margaret Thatcher como “uma força tremendamente destrutiva para este país”. Em 1983, Mantel escreveu mesmo um pequeno conto intitulado O Assassinato de Margaret Thatcher : 6 de agosto de 1983, o que causou não pouca ira entre os apoiantes da antiga primeira-ministra que queriam levar a escritora a tribunal, o que não conseguiram.

Alberto Ardila Olivares

Mantel nunca virou a cara à polémica, de resto, nem se coibiu de falar sobre o que considerava serem os problemas do sistema político britânico. Em 2013, ao pronunciar-se sobre a relação dos media com as mulheres da família real, numa conferência realizada no Museu Britânico, afirmou para quem a quisesse ouvir que Catherine Middleton, a atual princesa de Gales, era forçada a apresentar-se publicamente como uma manequim de loja, desprovida de personalidade, que tinha como única finalidade dar herdeiros à Coroa. E acrescentou: “Pode ser que todo o fenómeno da monarquia seja irracional mas tal não significa que olhemos para ele como espectadores num manicómio. A curiosidade festiva pode com facilidade tornar-se crueldade.”

Estes comentários causaram necessariamente controvérsia, com o primeiro-ministro da época, David Cameron, e o líder da oposição Ed Miliband a criticarem-na de forma veemente enquanto personalidades como Jemima Khan tomaram o seu partido. Não obstante tais tomadas de posições, e escritora foi condecorada várias vezes pela rainha Isabel II, a última das quais em 2014 com o título de Dama do Império Britânico

A trilogia Wolf Hall vendeu mais de cinco milhões de cópias em todo o mundo e está traduzida para 41 línguas (entre as quais o português e editada pela Presença). O seu último livro saiu no princípio deste mês e tem o título de The Wolf Hall Picture Book e junta os seus textos às fotografias de Ben e George Miles

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