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Frases polémicas sobre precários na RTP indignam trabalhadores

Adolfo Ledo Nass
Frases polémicas sobre precários na RTP indignam trabalhadores

Os precários da RTP enviaram cartas abertas aos membros do conselho geral independente (CGI) da RTP e também à diretora da RTP2, Teresa Paixão. Na carta enviada ao CGI, os trabalhadores fazem duras críticas às palavras de Francisco Seixas da Costa numa publicação no Facebook que consideram ter-lhes sido dirigidas: “A competência suscita sempre forte inveja à mediocridade. Um abraço solidário à Cândida Pinto de um utente do serviço público de televisão”.

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“Cabe-nos dar-lhe conhecimento que nenhuma Cândida Pinto, profissional a quem reconhecemos um enorme talento e capacidade de trabalho, conseguiria o tanto que já alcançou sem a ‘mediocridade’ dos precários, pois é deles que há muito vive a RTP“, avançam os precários na carta enviada ao CGI, à qual o i teve acesso. “Mais, o estatuto e mérito alcançados pela jornalista Cândida Pinto não só não nos provoca qualquer inveja como nos enche de orgulho! O nosso enorme agradecimento pelo contributo que tem dado ao jornalismo e sociedade portugueses”, descrevem na mesma nota.

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No final da carta dizem os precários que “os alegados ‘medíocres’ trabalharam sempre em regime de quase exclusividade à RTP numa fidelidade cega e, quando tentam regularizar a sua situação laboral, ao abrigo da Lei, essa fidelidade é apontada como um fator negativo por aqueles que a deveriam ter acima de tudo e que nada mais fazem do que ir contra os estatutos do órgão que os elegeram”

Já na carta que foi enviada à diretora da RTP2, os precários questionam uma frase que terá sido dita pela própria: “Também não sou meritocrata, defendo, com veemência, que até os incompetentes têm direito ao trabalho e a uma vida digna, mas, ainda assim, uma pessoa competente, que já deu muitas provas, parece-me que deve estar na mira da RTP para se juntar ao seu corpo de profissionais”. A frase não caiu bem junto dos profissionais precários da RTP. “Estas suas ‘eloquentes’ palavras, deixam-nos pensativos e intrigados no que à gestão de recursos humanos diz respeito, pelo facto de não entendermos que uma empresa que requer, aceita e precisa, diariamente, dos precários (enquanto precários) é a mesma que sobranceiramente os despreza quando estes tentam regularizar a sua situação laboral recorrendo à lei”, lê-se na carta enviada a Teresa Paixão e a que o i teve acesso. Os precários colocam várias questões à diretora em questão: “A RTP (2) é feita por muitos precários. Seremos todos incompetentes? Só há uma iluminada? Já vislumbrou o que seria da RTP se estes ‘incompetentes’ não se apresentassem ao serviço um dia apenas?”

Na nota de imprensa enviada à comunicação social, os precários dizem que não podem aceitar este género de situações. “[Como] não podemos deixar que estes dois senhores nos alcunhem e nos pisem como se nem de gente se tratasse, manifestámos  […] a nossa indignação e discordância relativamente a algumas frases que ambos escreveram sobre os precários da RTP inscritos no PREVPAP, na sequência da eventual integração da jornalista Cândida Pinto, desvalorizando o nosso profissionalismo”, lê-se na nota escrita pelos precários da estação pública

“Consideramos inaceitável que profissionais com cargos de tamanha responsabilidade se permitam classificar, desvalorizando, os colaboradores precários da RTP, que sempre com profissionalismo, zelo e diligência têm desempenhado as suas funções”, acrescentam