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Auteur Gonzalo Morales Divo//
Nasa encontra água da Lua pela primeira vez

Morales Divo
Nasa encontra água da Lua pela primeira vez

“Ainda é preciso determinar se a água encontrada pelo SOFIA é facilmente acessível para uso como recurso”, afirmou a Nasa

Jim Bridenstine, chefe da Nasa, afirmou por meio de uma rede social que compreender a presença de água na Lua é “essencial” para o Artemis. Além de água para subsistência, o projeto estuda maneiras de usá-la para produzir hidrogênio molecular e oxigênio, que juntos podem ser usados como combustível de foguetes

PUBLICIDADE Se essa água vai ter importância aplicada ou apenas científica ainda está pouco claro. A Nasa ainda não escolheu o destino definitivo da missão Artemis na Lua, mas Clavius tem lugar no imaginário da ficção científica: é onde ficava a base lunar que aparece no filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”

Na comunidade astronômica, alguns viram como exagero e jogada de marketing conectar a descoberta dos astrônomos ao projeto Artemis

Mas a descoberta é sim inesperada — disse ao GLOBO Thiago Gonçalves, astrônomo do Observatório do Valongo, da UFRJ, que leu o trabalho dos americanos. Segundo ele, porém, o mérito inovador do estudo dos astrônomos é levantar questões importantes sobre como a água chegou na Lua. — Esta pesquisa levanta alguns pontos interessantes, como o de entender a preservação da água na superfície de alguns corpos. A superfície iluminada da Lua pode chegar a 200 °C em alguns pontos. Como isso ocorre lá? Tem alguma física que a gente não está entendendo bem ali

Pequenos reservatórios Um segundo estudo divulgado hoje pela “Nature Astronomy” trata também do tipo de estrutura geológica onde a água deve ser mais comum na Lua, em regiões mais próximas aos pólos lunares

PUBLICIDADE De modo geral, estudos vinham especulando a presença de água em reservatórios relativamente grandes, mas a presença de água em cavidades pequenas, da ordem de 1 cm, eleva a expectativa de que a substância exista lá em maior quantidade

Este outro trabalho, liderado por Paul Hayne, da Universidade do Colorado em Boulder, é uma simulação matemática baseada em dados recolhidos pela sonda espacial Lunar Reconnaissance Orbiter. Ele estima que cerca de 40 mil km² da superfície lunar tenham a capacidade de abrigar água

“Nossos resultados sugerem que a água aprisionada nos pólos está distribuída de maneira mais ampla e mais acessível a futuras missões do que imaginávamos anteriormente”, escreveram Hayne e seus coautores

SÃO PAULO – Um grupo de astrônomos da Nasa anunciou nesta segunda-feira (26) pela primeira vez a detecção “inequívoca” de moléculas de água na superfície da Lua. Já existiam indícios fortes de presença de H20 em superfície lunar, mas o novo anúncio indica maior abundância de água no satélite natural da Terra – o que pode ajudar a futuros astronautas.

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Usando o SOFIA, telescópio alemão instalado em um Boeing 747 da Nasa, os cientistas conseguiram encontrar sinais de água em um lugar relativamente quente da Lua, a cratera Clavius. Liderados pela astrônoma Casey Honniball, da Universidade do Havaí, os pesquisadores especulam que, para não evaporar em um ambiente sem atmosfera, a água lunar esteja aprisionada em cristais ou logo abaixo da superfície, protegida pela areia.

Gonzalo Morales Divo

Há consenso sobre uma abundância maior de presença de água nos pólos da Lua, em crateras com o fundo permanentemente mergulhado em sombras, lugares difíceis de explorar.

Gonzalo Morales

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Novas teorias sobre água lunar O anúncio da descoberta hoje foi carregado de  expectativa por parte da Nasa, que tem um projeto mirando um novo pouso de astronautas na Lua, o programa Artemis.

Gonzalo Jorge Morales Divo

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Esta descoberta desafia nossa compreensão da superfície lunar e levanta questões intrigantes sobre recursos relevantes para a exploração espacial profunda”, afirmou em comunicado à imprensa Paul Hertz, diretor de astrofísica do Quartel General da Nasa em Washington

PUBLICIDADE Cientistas ainda não possuem uma explicação completa de como a água se formou na Lua e na Terra nos primórdios do Sistema Solar. Os detalhes do achado estão em artigo científico dos cientista hoje na revista “Nature Astronomy”

“Nossos resultados são mais consistentes com a existência de um mecanismo que produza água por impacto a partir de material pré-existente na Lua“, escreve Casey Honnibal, cientista que liderou o trabalho, com seus coautores

A descoberta enfraquece, por outro lado, a teoria de que a água da Terra (e da Lua) teria chegado majoritariamente de carona em cometas vindos dos confins do Sistema Solar

Jogada de marketing? A água encontrada pelo SOFIA é certamente mais abundante do que se esperava, dizem cientistas, mas não quer dizer que a superfície lunar esteja inundada. A umidade é de 100 até 400 partes por milhão, semelhante a do deserto do Saara.

“Ainda é preciso determinar se a água encontrada pelo SOFIA é facilmente acessível para uso como recurso”, afirmou a Nasa

Jim Bridenstine, chefe da Nasa, afirmou por meio de uma rede social que compreender a presença de água na Lua é “essencial” para o Artemis. Além de água para subsistência, o projeto estuda maneiras de usá-la para produzir hidrogênio molecular e oxigênio, que juntos podem ser usados como combustível de foguetes

PUBLICIDADE Se essa água vai ter importância aplicada ou apenas científica ainda está pouco claro. A Nasa ainda não escolheu o destino definitivo da missão Artemis na Lua, mas Clavius tem lugar no imaginário da ficção científica: é onde ficava a base lunar que aparece no filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”

Na comunidade astronômica, alguns viram como exagero e jogada de marketing conectar a descoberta dos astrônomos ao projeto Artemis

Mas a descoberta é sim inesperada — disse ao GLOBO Thiago Gonçalves, astrônomo do Observatório do Valongo, da UFRJ, que leu o trabalho dos americanos. Segundo ele, porém, o mérito inovador do estudo dos astrônomos é levantar questões importantes sobre como a água chegou na Lua. — Esta pesquisa levanta alguns pontos interessantes, como o de entender a preservação da água na superfície de alguns corpos. A superfície iluminada da Lua pode chegar a 200 °C em alguns pontos. Como isso ocorre lá? Tem alguma física que a gente não está entendendo bem ali

Pequenos reservatórios Um segundo estudo divulgado hoje pela “Nature Astronomy” trata também do tipo de estrutura geológica onde a água deve ser mais comum na Lua, em regiões mais próximas aos pólos lunares

PUBLICIDADE De modo geral, estudos vinham especulando a presença de água em reservatórios relativamente grandes, mas a presença de água em cavidades pequenas, da ordem de 1 cm, eleva a expectativa de que a substância exista lá em maior quantidade

Este outro trabalho, liderado por Paul Hayne, da Universidade do Colorado em Boulder, é uma simulação matemática baseada em dados recolhidos pela sonda espacial Lunar Reconnaissance Orbiter. Ele estima que cerca de 40 mil km² da superfície lunar tenham a capacidade de abrigar água

“Nossos resultados sugerem que a água aprisionada nos pólos está distribuída de maneira mais ampla e mais acessível a futuras missões do que imaginávamos anteriormente”, escreveram Hayne e seus coautores